Análises PC

Shadowrun

Publicado em 15/06/2007 |
Fabricante:
FASA Studio

Lançamento: 29/05/2007

Distribuidora:
Microsoft Game Studios

Suporte:
1-16 jogadores, multiplayer online

Configuração mínima:
Windows

Imagens

Shadowrun (PC)

Shadowrun (PC)

Shadowrun (PC)

Shadowrun (PC)

Shadowrun (PC)

“Shadowrun” nasceu em 1989 como um RPG de mesa com temática cyberpunk que se tornou bastante popular. Desse rico material original, o game para PC e Xbox 360 aproveitou apenas o nome e algumas poucas referências, como as magias e as raças que compõem as classes.

Ou seja, fica a impressão que a propriedade intelectual foi pouco explorada, ainda mais num game em que o enredo é mínimo – na verdade, nem existe um modo de história. Aliás, a maior crítica ao novo “Shadowrun” é a falta de conteúdo, pois se trata basicamente de um game multiplayer entre times. Muito cru, falta até mesmo opções quase imprescindíveis para esse tipo de jogo.

Terroristas com magias

“Shadowrun” é um jogo de tiro em primeira pessoa de arena, ou seja, os ambientes são fechados. A referência mais próxima (bem próxima, por sinal) é “Counter-Strike”, pois traz um sistema de rounds e de compra, no caso, não só de armas, mas também de magias e techs. Como dito, trata-se de duelos multiplayer, que podem ser jogados sozinho (o computador controla aliados e inimigos), mas, naturalmente, sem a mesma satisfação.

O game conta a história de um mundo de alta tecnologia em que a magia foi restaurada de forma repentina. Esse poder é disputado por dois grupos: a corporação RNA Global e os Lineages. Na verdade, isso apenas serve de pretexto para distribuir os jogadores em um dos times. Se você é fã do RPG de mesa, ou até mesmo dos jogos feitos para o Super NES, Mega Drive e Sega CD, é bom relevar o enredo, ou ficar bem longe para não passar raiva.

A introdução de magias e techs, habilidades que expandem as capacidades dos personagens, tornou mais complexa a fórmula que se tornou famosa em “Counter-Strike”. Para explicar essas novidades, o jogo traz seis capítulos de treinamento, que destrincha cada uma dos recursos, além de explicar as diferenças entre as quatro raças presentes no game.

Tiroteios com algo mais

São cinco as techs: o gliding permite planar; o smartlink possibilita uma visão de zoom para todas as armas (além de poder aproximar mais a visão com o rifle de precisão), evita o fogo amigo, mas a mira laser denuncia a posição do jogador; o enhanced vision faz enxergar os oponentes através das paredes; o antimagic generator suga o essence (pontos de magia) de quem passar por perto; e, por fim, o wired reflexes faz mover mais rápido e protege dos ataques frontais se estiver com a espada.

As magias gastam essence e consistem em sete tipos, como o teleport, que permite atravessar paredes, o tree of life, que “planta” uma árvore mágica que recupera a energia de quem estiver por perto, e o summon, que invoca uma criatura para auxiliar no combate. No entanto, o feitiço mais importante seja o resurrection, que faz reviver um companheiro caído. Mas há formas de evitar isso, como, por exemplo, destruindo o cadáver (basta atirar no corpo até sumir).

O jogador pode atribuir apenas três techs e magias nos botões de ombro e no gatilho esquerdo, respectivamente. Não que o restante não possa ser acionado, mas é preciso navegar por um menu, praticamente impossível no meio de um tiroteio.

As raças possuem características diferentes, que devem ser levadas em conta na hora de montar o grupo e definir estratégias. Os humanos são equilibrados, e têm a vantagem de começar com mais dinheiro, enquanto os trolls são fortes e lentos, mas possuem maior defesa. Bem diferente dos rápidos elfos, que podem ter pouca energia, mas a recuperam com o tempo. Por fim, os anões são resistentes (chegam a agüentar um tiro na cabeça), mas recuperam a magia muito lentamente, a não ser que suguem de outros personagens ou do ambiente.

Enfim, há um equilíbrio entre os elementos, garantindo que nenhum personagem, arma, tech e magia tenha predominância sobre o outro. Evidentemente, há combinações mais eficientes, mas não chegam a ser exorbitantes. Com um sistema tão cheio de possibilidades, essas escolhas exercem importância que podem suplantar a estratégia genuína de times, como acontece em “Counter-Strike” ou “Gears of War”. Apesar disso, “Shadowrun” oferece muita diversão. A mecânica é bastante sólida, com bons controles (apesar de levar um tempo para se acostumar com as várias habilidades, principalmente o glider).

Consoles e PCs na mesma arena

“Shadowrun” é o primeiro título em que jogadores do PC e do Xbox 360 podem compartilhar uma mesma partida. No entanto, essa interoperabilidade parece ter sacrificado os usuários do computador. É que a retícula é muito grande e isso significa que as armas, com exceção do rifle com visor, são imprecisas. Parece que a medida foi colocada para não favorecer quem usa o mouse e o teclado, notadamente muito melhor para esse gênero de jogo. Essa imprecisão diminui consideravelmente a satisfação, mas o saldo ainda é positivo.

Devido à natureza do game, o multiplayer é a modalidade principal (para não dizer que é praticamente a única, pois jogar sozinho cansa muito rápido). Há duas maneiras de fazer isso. Uma é o private match, que permite jogar com cadastrados na lista de amigos na rede Xbox Live ou em rede local. A outra opção são as partidas públicas.

No entanto, essa modalidade carece de opções, tendo, no Xbox 360, apenas a de procurar uma seção (o equivalente a quick match), sem poder escolher entre os vários grupos disponíveis. Funções básicas, como o rastreamento de estatísticas, também estão ausentes. Os usuários de PC têm um pouco mais de opções, como poder jogar num servidor somente para o computador. Ao menos, critérios como a habilidade do jogador e velocidade de conexão são levados em conta, e a conseqüência disso são, na maioria das vezes, partidas com um mínimo de “lag”. No entanto, o game demora cerca de três minutos para achar um servidor.

O game também carece de regras: há duas variações de capture-a-bandeira e uma de deathmatch entre times. O número de mapas é pequeno. Mas tudo isso pode ser remediado com downloads adicionais.

Produção sem luxo

O visual não chega a ser sofisticado. Os personagens estão bem modelados, mas os cenários são simples. Algumas imagens de fundo têm baixa resolução. Já os efeitos das magias estão melhores. O grande problema, no que diz respeito aos avatares, é que todos são iguais, sem opção de customização. Isso faz falta especialmente num game multiplayer. Há alguns aspectos de jogo inacabado: os bonecos sobem a escada como se estivessem levitando. Ao menos, o desempenho é muito bom, sem tropeços na fluência da tela.

O som não se destaca, mas é competente. O barulho dos tiros e explosões, por exemplo, são potentes. A comunicação por voz é, dada as características do game, importante para coordenar as ações, mas também há uma opção para trazer informações do sistema, que também é útil. Para quem não sabe, Brasil é uma potência no universo de “Shadowrun”. Espere por ritmos brasileiros e até mesmo pixações em português nos cenários do jogo.

Faltou guarnição

A mecânica central de “Shadowrun” é equilibrada e eficiente, apesar de um pouco impreciso com as armas. O problema é que traz apenas um modo de arena. Não ter uma modalidade de campanha soa como oportunidade perdida, pois o universo original é muito rico. É essa falta de conteúdo que não justifica o preço do game, de quase US$ 60.

Avaliação final: 6.8
Jogabilidade: 7.0 – Gráficos: 7.0 – Som: 7.0– Diversão: 6.0

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